28/06/2022

Precisamos falar sobre a diversidade | Feitiços

DIVERSIDADE: SAIBA O SIGNIFICADO DAS LETRAS DA SIGLA DO ORGULHO

Se você ainda não sabe o que é e quer entender quais são as siglas da bandeira LGBTQIA+ chegou a hora de descobrir.

Neste artigo, nós separamos tudo o que você precisa saber nesse dia do orgulho LGBTQIA+.

 

O QUE SIGNIFICA SEXUALIDADE?

Antes de tudo precisamos entender o conceito de sexualidade.

Segundo a  Organização Mundial da Saúde a sexualidade é definida como “parte da personalidade de cada um, sendo uma necessidade básica e um aspecto do ser humano que não pode ser separado de outros aspectos da vida. A sexualidade influencia pensamentos, sentimentos, ações e interações e, portanto, a saúde física e mental".

Mas quando falamos sobre esse termo é comum que ele seja associado a uma relação única e exclusiva de reprodução. 

O que precisamos compreender aqui, é que as vivências relacionadas à sexualidade são configuradas de maneira pessoal levando em consideração contextos sociais muito plurais e até mesmo mudanças através dos períodos históricos.

Por isso, os movimentos entre pesquisadores e estudiosos tem sido cada vez mais potentes quando o assunto é afastar o conceito (um tanto quanto ultrapassado) de reprodução animal exclusivamente associada ao sexo. 

Sim, é preciso analisar fatores biológicos para ter certas respostas sobre o que de fato é a sexualidade, mas ela também pode sofrer fortes interferências externas através do ambiente sócio-cultural e religioso em que o indivíduo está inserido.

 

A SEXUALIDADE É UMA "ESCOLHA"?

Muito se fala sobre opção ou escolha sexual, mas esse não é, em hipótese alguma, um termo correto. 

Para entender isso, basta fazer uma simples analogia, se você é heterosexual, por exemplo, em qual momento escolheu sentir atração pelo sexo oposto? 

Portanto, é fácil entender que isso também não se aplica com quem se atrai pelo mesmo sexo, ainda mais quando um ato tão natural é demonizado e cercado por preconceitos. Por isso, o termo correto a ser utilizado é orientação sexual.

Além disso, existem estigmas e estereótipos que ajudam a contribuir com uma falsa ideia de que a sexualidade pode ser influenciada como, um determinado tipo de brinquedo para cada gênero, cores de roupas e até mesmo filmes e desenhos.

Mas saiba que brinquedos, cores e ou programas de tv com personagens LGBTQIA+, não possuem a menor influência na orientação sexual de ninguém. 

Até porque existem casos onde adultos da comunidade foram socializados por influências heteronormativas e não são heterossexuais.

Logo, essa associação não possui o menor sentido e na verdade, diz mais sobre representatividade e sensação de pertencimento do qualquer outra coisa.

 

QUAIS OS TIPOS DE SEXUALIDADE SEGUNDO A CIÊNCIA?

A ciência e os estudiosos reconhecem que é preciso levar em consideração diversos fatores da evolução humana, condições socioculturais e antropológicas e estão constantemente presentes na construção da sexualidade. 

Por isso, os tipos de sexualidade são muito abrangentes e podem surgir variações de acordo com o contexto da sociedade. Algumas delas são:

Heterossexual:

Trata-se de um indivíduo que sente atração sexual, emocional ou afetivamente por pessoas do gênero oposto ao seu. Dificilmente heterossexuais precisam ter experiências com pessoas do outro sexo para se identificar como tal.

Homossexual (Gays e Lésbicas):

Uma pessoa homossexual se sente atraída sexual, emocional ou afetivamente por pessoas do mesmo sexo (ou gênero). 

Bissexual:

Pessoas bissexuais sentem atração por pessoas de ambos os gêneros (feminino e masculino) de maneira emocional, afetiva ou sexual. Diferentemente do que muitos acreditam, dificilmente essa atração é 50% a 50% o interesse se manifesta de maneiras singulares em cada pessoa. 

Assexual:

Pessoas que não sentem atração sexual por nenhum dos sexos, seja masculino ou feminino. É importante ressaltar que isso não necessariamente significa que assexuais não desenvolvam sentimentos amorosos e afetivos por outras pessoas, apenas não existe o desejo sexual.

Pansexual:

Panssexuais rejeitam o conceito de dois gêneros. Isso significa que a atração sexual, emocional e afetiva por outros individuos independem de sua identidade de gênero ou sexo biológico.

Queer:

Segundo um artigo publicado no site americano Them, o termo genderqueer pode ser um conceito abrangente para qualquer pessoa que não se identifique 100% como um homem ou mulher. 

Refere-se a alguém que se alterna entre os dois e a pessoas que se identificam como um terceiro gênero, generofluido, andrógino, dois-espíritos, pangênero e agênero, apenas para citar alguns”, afirma a publicação.

 

GÊNERO

As pessoas ainda confundem sexualidade com gênero.

Por isso, separamos dois exemplos que estão presentes na sigla para explicar melhor essas diferenças.

Transexual:

Uma pessoa trans é uma pessoa que não se identifica com o sexo biológico com o qual nasceu. Esse indivíduo é alguém que não se sente adequado ao gênero que lhe foi designado. 

Sendo assim, uma pessoa é definida como transexual quando sente desconforto com seu sexo biológico.

Por exemplo: Se uma pessoa nasce biologicamente homem, mas não se reconhece dessa forma. Apesar de ter nascido com a genitália masculina, sente-se uma mulher.

Intersexual:

O termo Intersexual é o termo correto para referir-se a pessoas que nascem com dois sistemas reprodutores em um mesmo organismo.

Ou seja, esse é um termo geral utilizado para caracterizar uma variedade de condições em que uma pessoa nasce com uma anatomia reprodutiva e sexual que não parece corresponder às definições típicas de mulheres ou homens.

Ambos os exemplos podem ser hétero, homo, pan ou bissexuais independente do gênero com o qual se identificam.

 

PRECONCEITO POR ORIENTAÇÃO SEXUAL

Todas as pessoas que descobrem sua orientação sexual ou como é comumente chamado “saem do armário” estão suscetíveis a sofrer julgamento, preconceito, discriminação e em casos físicos, violência.

Essas violências físicas e psicológicas acontecem em seus locais de trabalho, escolas ou faculdades, na igreja e em suas relações sociais. Mas em uma dose de otimismo, pesquisas revelam que o apoio da família, amigos e a escola durante a descoberta, são pontos fundamentais e que contribuem de maneira expressiva na diminuição de impactos causados por essas vivências.

Crescer acreditando que o simples fato de ser você mesmo é errado, causa dúvidas e danos irreparáveis na saúde física e mental de quem se descobre com uma sexualidade diferente da heterosexual. O apoio e acolhimento é fundamental para deixar esse caminho menos solitário.

 

ALGUNS CASOS FAMOSOS DE PRECONCEITO

 

Agressão a gays com lâmpadas na paulista

Em 14 de novembro de 2010, três jovens foram agredidos por 5 homens (4 deles menores de idade na época) com golpes utilizando lâmpadas fluorescentes, na Avenida Paulista. 

O mais atingido foi Luís Alberto Betonio, que teve uma lâmpada quebrada no rosto em um ato cruel e puramente preconceituoso. Segundo testemunhas, os agressores teriam dito a Luís e às outras 3 vítimas, durante os ataques, termos pejorativos como "suas bichas" e "vocês são namorados", revelando que o ataques teve cunho homofóbico.

O caso tomou forte repercussão nacional, principalmente após a divulgação de um vídeo onde um dos agressores é visto estourando um bastão de lâmpada fluorescente na cabeça de uma das vítimas, sem nenhum motivo aparente.

Na época do crime, o menor responsável por atingir Luís com a lâmpada ficou 45 dias na Fundação Casa (antiga FEBEM). Em 2015, a Justiça condenou o maior de idade a uma pena de 9 anos de prisão por tentativa de homicídio triplamente qualificado por participação na agressão.

Os ataques causaram protestos de diversas entidades sociais e LGBTQIA+ contra os acusados e a homofobia. 

 

Tiroteio em Orlando

Um massacre em uma boate LGBT+ deixou marcas que até hoje ecoam em Orlando, na Flórida. O tiroteio aconteceu nos Estados Unidos, na boate Pulse, uma balada onde o público era quase exclusivamente LGBT+. 

O atirador abriu fogo dentro do local e acabou matando cerca de 50 pessoas e ferindo outras 53. O caso chocou o mundo e acendeu mais um alerta para a intolerância. O agressor morreu durante troca de tiros com a polícia. 

 

Caso Dandara

No dia 15 de fevereiro de 2017, Dandara dos Santos, uma mulher trans, de 42 anos, foi covardemente espancada por pelo menos dez homens, entre adolescentes e adultos. Após sofrer violência física e psicológica, todas registradas em vídeo que foi publicado e compartilhado nas redes sociais, Dandara foi erguida por seus agressores e colocada em uma carrinho de mão enquanto pedia pela vida utilizando o nome da mãe. Dezenas de moradores da região presenciaram as agressões, muitos incitaram ainda mais violência e nada foi feito para salvá-la.

O julgamento aconteceu no dia 5 de abril de 2018. Francisco José Monteiro, conhecido como Chupa Cabra, que foi condenado a 21 anos de prisão por ter sido autor de dois tiros contra a vítima; Jean Victor Silva Oliveira, Rafael da Silva Paiva e Francisco Gabriel Campos dos Reis foram condenados a 16 anos; Isaías da Silva Camurça, o Zazá, recebeu pena de 14 anos e seis meses.

Além deles, Júlio César Braga da Costa foi condenado a 16 anos de reclusão. O último acusado, Francisco Wellington Teles, de 51 anos, ficou foragido até o dia 15 de março de 2019, quando foi preso em Caucaia.

Esses são apenas três dos milhares de crimes cometidos diariamente contra a comunidade LGBT+. No Brasil, a cada 23 horas uma pessoa morre vítima de LGBTfobia.

 

COMO O PRECONCEITO PODE AFETAR A SAÚDE MENTAL?

Para entender melhor como o preconceito afeta diretamente a saúde mental das minorias sexuais, a teoria do minority stress (estresse de minorias, em português) explica essa tensão à qual a comunidade LGBTQIA+ é sujeita. A teoria propõe que estresses sofridos de forma crônica por minorias, em decorrência de uma vida inteira de não-aceitação, rejeição, discriminação, estigma e violência, contribuem para que essa população tenha risco aumentado em sua saúde física e mental em relação ao restante do corpo social

Um estudo aponta que 30% das pessoas da comunidade LGBTQIA+ possuem um diagnóstico de depressão e 47,5% de ansiedade. 

O distanciamento social causado pela pandemia resultou em uma piora na saúde mental dessas pessoas, A ausência de redes de apoio e a falta de políticas públicas mais práticas, causaram um aumento de 2% para as duas condições clínicas em comparação com a pesquisa realizada em 2020, que foi de 28% para depressão e de 45,3% para ansiedade

Além disso, a luta incessante por inclusão e constantes episódios de homofobia e transfobia fazem com que os jovens LGBTQIA+ sejam mais suscetíveis a pensamentos suicidas. 

Os números são alarmantes e escancaram o estresse crônico causado por todo o preconceito imposto pela sociedade. A dúvida se serão aceitos e a falta de acolhimento podem levar a tragédias.

 

ONDE PROCURAR AJUDA?

Apesar da estrutura responsável por cuidar da saúde mental da população brasileira ser moldada por todas essas violências, ainda existem iniciativas público e privada que buscam dar suporte financeiro, psicológico e humanizado a vítimas de LGBTQIA+fobia, trazendo uma nova oportunidade de vida para essas pessoas.

ABGLT

A ABGLT (Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais) foi fundada em 1995, e criou uma rede nacional que busca levar amplamente as necessidades LGBTQIA+ ao governo federal. Inclusive, o site da associação, possui uma lista de diversas associações, grupos e entidades LGBTQIA+ por todo o Brasil, incluindo cidades interioranas, afastadas de grandes centros.

Movimento D'ellas

O Movimento D'ellas atua em todo o Brasil proporcionando atendimento virtual, por telefone e presencial para a comunidade LGBTQIA+ e conta com uma equipe voluntária de psicólogos e advogados.

Casa 1

A Casa 1 foi inaugurada no dia 25 de janeiro, dia do aniversário de São Paulo, a Casa é uma república de acolhimento de LGBTs expulsos de casa.

Também funciona como um centro cultural com salão de exposição, sala de aula, palestras e uma biblioteca aberta ao público.

Mesmo com políticas públicas e ONGS atuantes, o campo de atuação é grande, complexo e exige um trabalho contínuo. 

Portanto, é fundamental fortalecer iniciativas como essas e fomentar debates sobre saúde mental. Somente assim é possível conscientizar cada vez mais a comunidade LGBTQIA+ da importância do autocuidado, principalmente com profissionais e instituições comprometidas em garantir um atendimento digno e humanizado.  

 

 

O mês do orgulho é um marco histórico que deve ser símbolo de luta e mais uma recordação diária sobre a importância de conhecer e respeitar esse movimento.

É preciso entender que falar sobre sexualidade não é falar só sobre sexo. É falar sobre inclusão, gênero e respeito a todos os indivíduos.

Na Feitiços, nós entendemos que todos esses fatores andam lado a lado.

Por isso, nós nos comprometemos a trazer conteúdos educativos e que ajudem a todos a estimular o melhor da sexualidade.

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